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Concessões públicas

  • Foto do escritor: Anselmo Duarte
    Anselmo Duarte
  • 12 de mai.
  • 2 min de leitura

Concessão não é abandono do patrimônio público. Também não é simplesmente “privatizar tudo”.Na prática, concessão é uma forma de dividir responsabilidades para que um serviço funcione melhor, com mais agilidade, investimento e manutenção contínua.

Quando olhamos para muitas rodovias concedidas do estado de São Paulo, por exemplo, é evidente a diferença na conservação, sinalização, atendimento e rapidez nas intervenções. Isso acontece porque a iniciativa privada possui uma capacidade operacional mais dinâmica. Enquanto o poder público muitas vezes depende de licitações demoradas, trâmites burocráticos e limitações orçamentárias, a concessionária consegue reagir mais rapidamente às necessidades da via.

Mas defender concessões não significa defender um modelo sem fiscalização.

E é justamente aqui que existe um ponto importante que precisa ser debatido com maturidade: a independência e a transparência das agências reguladoras.

Hoje, grande parte das agências reguladoras permanece fortemente vinculada à estrutura política do próprio Estado. Isso cria um risco natural de concentração de poder na condução dos contratos, nas revisões tarifárias, nos aditivos e até na fiscalização da qualidade dos serviços prestados.

Se a concessão envolve dinheiro público, patrimônio público e impacto direto na vida da população, então a transparência precisa ser absoluta.

A população precisa entender:

  • como os contratos são feitos;

  • quais metas estão sendo cobradas;

  • quanto está sendo arrecadado;

  • onde os recursos estão sendo investidos;

  • e quais penalidades realmente são aplicadas quando o serviço não atende o esperado.

Uma agência reguladora forte não deveria servir apenas para validar decisões do governo ou da concessionária. Ela deveria funcionar como um instrumento técnico de equilíbrio entre interesse público, operação privada e fiscalização transparente.

Quanto mais independência técnica, publicidade das informações e participação da sociedade existir, maior tende a ser a confiança no sistema de concessões.

Porque no final, a discussão não deveria ser “Estado ou iniciativa privada”.A verdadeira discussão é: o serviço está funcionando? Está sendo fiscalizado? O cidadão está recebendo retorno justo pelo que paga?

Quando existe transparência, metas claras e fiscalização séria, a concessão pode ser uma ferramenta eficiente para acelerar investimentos, melhorar a infraestrutura e aliviar o peso operacional do Estado sem abandonar o interesse público.

 
 
 

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