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Desenvolvimento também se faz de casa para fora

Quando falamos em desenvolvimento econômico, é comum a discussão começar pelos juros, pela economia nacional, pelo Governo Federal ou pelo Governo do Estado.

Tudo isso influencia a vida das nossas cidades. Mas existe uma pergunta que precisamos fazer:

O que podemos fazer aqui, com aquilo que já temos?

O interior de São Paulo possui agricultura forte, indústrias, comércio, universidades, escolas técnicas, localização estratégica e pessoas dispostas a trabalhar e empreender. Mesmo assim, algumas regiões crescem enquanto outras perdem empresas, população e oportunidades.

Minha proposta parte de um princípio simples:

Em vez de esperar que o desenvolvimento chegue, precisamos preparar nossas cidades para produzi-lo.

É dessa ideia que nasce o Interior que Produz, uma proposta de desenvolvimento econômico baseada na organização das potencialidades locais e na cooperação entre municípios, empresas, instituições de ensino e sociedade.

Descobrir o que cada região sabe fazer bem

Nem toda cidade precisa de uma grande indústria.

Uma região pode ter potencial para agroindústria. Outra para logística, turismo, saúde, tecnologia, serviços ou determinada cadeia produtiva. O primeiro passo é conhecer essas vocações e decidir onde concentrar esforços.

Precisamos parar de copiar modelos e começar a desenvolver aquilo em que cada região pode ser realmente competitiva.

Preparar a cidade antes de procurar empresas

Quando um empresário procura um município para investir, a prefeitura deveria ser capaz de mostrar imediatamente suas áreas disponíveis, infraestrutura, acessos, energia, água, internet, mão de obra, zoneamento e condições para instalação.

Não basta possuir um terreno.

Precisamos trabalhar com o conceito de Área Pronta para Investir: locais previamente estudados, documentados e preparados para receber empreendimentos.

Muitas cidades estão próximas de importantes corredores logísticos, mas não conseguem transformar essa localização em investimentos porque não possuem áreas preparadas, projetos ou informações econômicas organizadas.

Formar trabalhadores para empregos que realmente existem

Também precisamos aproximar quem ensina de quem emprega.

Empresas podem informar quais profissionais estão procurando hoje e quais precisarão nos próximos anos. Escolas técnicas, universidades e programas de capacitação podem utilizar essas informações para direcionar parte de seus cursos.

A lógica é simples: identificar a oportunidade, preparar o trabalhador e aproximar os dois.

Hoje ainda existe um desencontro entre a formação disponível e aquilo que a economia de cada região efetivamente necessita.

Cuidar de quem já produz antes de procurar quem ainda pode chegar

Atrair novas empresas é importante. Mas desenvolvimento econômico também significa ajudar a crescer quem já está instalado.

Às vezes buscamos uma grande empresa capaz de gerar 200 empregos e esquecemos que cinquenta pequenos negócios locais, criando quatro novas vagas cada um, produzem o mesmo resultado.

Pequenos empresários precisam de acesso a tecnologia, capacitação, mercados, crédito e oportunidades para vender além dos limites de sua cidade.

Feiras regionais, rodadas de negócios, catálogos de fornecedores e encontros entre pequenas e grandes empresas podem criar oportunidades sem exigir grandes estruturas públicas.

Colocar universidade, tecnologia e empresa na mesma mesa

O interior possui universidades, FATECs, ETECs e outras instituições de formação.

Ao mesmo tempo, nossas empresas e produtores enfrentam diariamente problemas de produtividade, automação, desperdício, logística e gestão.

Precisamos aproximar esses dois mundos.

Inovação não precisa significar apenas criar uma startup. Inovar também é usar conhecimento para tornar mais competitiva a empresa que já está funcionando na nossa cidade.

O interior precisa participar da nova economia, e não apenas fornecer matérias-primas para ela.

Pensar regionalmente

Nossas economias já ultrapassaram os limites municipais.

Uma pessoa pode morar em uma cidade, estudar em outra e trabalhar em uma terceira.

Então por que cada município deveria tentar resolver sozinho todos os seus problemas de desenvolvimento?

Cidades vizinhas podem compartilhar informações, estruturar áreas complementares, organizar capacitação profissional e apresentar conjuntamente uma região aos investidores.

Municípios podem competir por investimentos sem deixar de cooperar para tornar a região mais forte.

Procurar oportunidades, em vez de apenas esperar por elas

Outra proposta é estruturar pequenos núcleos regionais de oportunidades e investimentos.

Não seriam novas estruturas burocráticas.

Poderiam funcionar por meio de associações, consórcios ou parcerias já existentes, com uma missão muito objetiva: conhecer as potencialidades da região, procurar investidores, apresentar oportunidades, aproximar fornecedores e acompanhar empresas interessadas.

Em vez de cada cidade agir isoladamente, passamos a apresentar economicamente uma região inteira.

Fazer o jovem enxergar futuro no interior

Tudo isso converge para um dos maiores desafios das pequenas e médias cidades: a saída dos jovens.

Estudar fora, conhecer outros lugares e buscar experiências é natural. O problema aparece quando ir embora deixa de ser uma escolha e passa a ser a única alternativa para crescer profissionalmente.

Sem empregos qualificados, empreendedorismo e novas oportunidades, nossas cidades investem na formação de jovens que depois produzem riqueza em outras regiões.

Desenvolver a economia do interior também significa criar razões para que essas pessoas possam ficar - ou tenham vontade de voltar.

Menos procura por culpados. Mais procura por soluções.

Não proponho ignorar os problemas nacionais ou as responsabilidades do Governo do Estado.

Mas também não podemos transformar cada dificuldade das nossas cidades em mais uma discussão sobre quem é o culpado.

Há problemas que dependem de Brasília. Há investimentos que dependem do Governo do Estado. Mas existe muita coisa que podemos começar a fazer aqui.

Organizar nossas áreas empresariais. Conhecer nossas vocações. Qualificar trabalhadores para as vagas existentes. Ajudar nossas empresas a crescer. Aproximar universidades do setor produtivo. Unir municípios vizinhos. Procurar investidores profissionalmente. Criar oportunidades para nossos jovens.

Nenhuma dessas medidas, isoladamente, resolverá o desenvolvimento econômico do interior.

Mas todas elas podem começar perto de casa.

Esse é o princípio do Interior que Produz:

Não esperar o desenvolvimento chegar. Preparar nossas cidades para fazê-lo acontecer.

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