Conectividade para Desenvolver: uma proposta para integrar o interior paulista

A conectividade deixou de ser um serviço acessório. Hoje, ela é infraestrutura essencial para o desenvolvimento.
A internet está presente na educação, na saúde, na agricultura, no comércio, na segurança pública, na prestação de serviços e até mesmo nas relações pessoais.
Mesmo assim, milhares de famílias do interior ainda convivem com sinal instável ou simplesmente inexistente. Enquanto nas cidades maiores discutimos velocidade de conexão, muitas comunidades rurais ainda procuram um ponto onde o celular consiga fazer uma ligação.
Essa diferença cria uma nova forma de desigualdade. Não é apenas a falta de internet. É a falta de oportunidades.
O desafio não é instalar antenas. É construir uma rede inteligente.
A expansão da conectividade não pode acontecer de forma improvisada.
Assim como planejamos rodovias, sistemas de abastecimento de água ou redes de energia elétrica, a infraestrutura de telecomunicações também precisa seguir um planejamento técnico.
Isso significa identificar os pontos de maior necessidade e estruturar uma malha de cobertura capaz de atender o maior número possível de pessoas, propriedades rurais, escolas, unidades de saúde e corredores logísticos.
O objetivo não é espalhar torres aleatoriamente. O objetivo é construir uma rede integrada.
Cada nova antena deve ampliar uma malha de cobertura previamente planejada, reduzindo áreas sem sinal e fortalecendo a comunicação em toda a região.
O primeiro passo é conhecer a realidade
Não é possível planejar aquilo que não conhecemos.
Hoje, boa parte das informações sobre cobertura de telefonia e internet baseia-se em dados declarados pelas próprias operadoras. Esses levantamentos são importantes, mas nem sempre refletem a experiência real da população.
Quem vive no campo sabe exatamente onde o sinal desaparece. Sabe quais estradas ficam completamente isoladas. Sabe quais comunidades permanecem desconectadas.
Por isso, defendemos um levantamento estadual permanente da conectividade, reunindo informações técnicas e também a participação dos próprios cidadãos.
Somente conhecendo essa realidade será possível definir prioridades e investir onde a necessidade é maior.
Incentivar a expansão da infraestrutura
Levar conectividade ao interior também exige criar um ambiente favorável aos investimentos.
O Estado pode atuar como articulador entre operadoras, provedores regionais, municípios e órgãos reguladores para identificar locais estratégicos para implantação de novas torres.
Em vez de esperar que cada empresa tome decisões isoladamente, é possível construir um planejamento conjunto, indicando áreas prioritárias para expansão da cobertura.
Essa atuação reduz custos, evita duplicidade de investimentos e amplia a eficiência da infraestrutura instalada.
Também é possível estimular o compartilhamento de estruturas físicas, quando tecnicamente viável, reduzindo impactos ambientais e acelerando a implantação da rede.
O papel dos pequenos provedores
Nem todas as regiões despertam interesse imediato das grandes operadoras.
É justamente nesse espaço que muitos provedores regionais têm desempenhado um papel fundamental.
São empresas que conhecem o território, entendem as necessidades locais e frequentemente chegam onde as grandes redes ainda não chegaram.
Fortalecer esse ambiente competitivo significa ampliar as possibilidades de atendimento às pequenas comunidades, distritos e propriedades rurais.
Planos específicos para o meio rural
A realidade do campo é diferente da realidade urbana.
As distâncias são maiores, a densidade populacional é menor e os custos de implantação também são diferentes.
Por isso, defendemos a construção de modelos específicos para atendimento das áreas rurais, em diálogo com a ANATEL, operadoras e provedores, buscando condições que tornem economicamente viável ampliar a cobertura nessas regiões.
O produtor rural, o estudante, o trabalhador e as famílias que vivem no campo não podem continuar sendo tratados como exceção.
A conectividade também faz parte da infraestrutura necessária para produzir alimentos, estudar, empreender e acessar serviços públicos.
Sustentabilidade também faz parte da solução
A expansão da rede pode incorporar soluções ambientalmente responsáveis.
Sempre que houver viabilidade técnica, novas estações de telecomunicações poderão utilizar sistemas de geração de energia solar para suprir parte ou toda a sua demanda elétrica.
Além de reduzir custos operacionais ao longo do tempo, essa alternativa contribui para diminuir impactos ambientais, especialmente em locais mais afastados dos grandes centros.
Infraestrutura moderna também deve ser infraestrutura sustentável.
Recursos sem aumentar impostos
Uma política estadual de conectividade não precisa nascer da criação de novos impostos.
O caminho é utilizar melhor os instrumentos já existentes.
Recursos provenientes de fundos estaduais, emendas parlamentares, convênios, parcerias público-privadas e programas de desenvolvimento podem ser direcionados para projetos estruturantes de expansão da infraestrutura digital.
Quando existe planejamento, os investimentos deixam de ser pontuais e passam a construir uma rede permanente de desenvolvimento.
O papel do deputado estadual
O deputado estadual não instala antenas nem executa obras de telecomunicações. Mas pode criar as condições para que essa transformação aconteça.
Pode propor políticas estaduais de conectividade, acompanhar sua execução, fiscalizar metas, articular municípios, operadoras, provedores regionais, universidades e órgãos reguladores, além de destinar recursos para projetos prioritários.
Seu papel é aproximar os diferentes atores envolvidos e garantir que os investimentos sejam orientados por planejamento e interesse público.
Conclusão
Conectar o interior não significa apenas ampliar o acesso à internet.
Significa aproximar pessoas das oportunidades.
Significa permitir que um estudante pesquise, que um produtor rural utilize tecnologia, que um paciente tenha acesso à telemedicina, que uma empresa se instale em uma pequena cidade e que uma família possa pedir ajuda em uma situação de emergência.
O desenvolvimento do interior paulista passa, necessariamente, pela construção de uma infraestrutura digital planejada, inteligente e distribuída de forma equilibrada.
Assim como estradas aproximam cidades, uma rede de conectividade bem planejada aproxima pessoas, conhecimento, trabalho e desenvolvimento.